IROSÁTIRA

sexta-feira, março 24, 2006

Das falsas promessas às promessas falsas

A escola portuguesa de retórica é extremamente infeliz nos seus propósitos, porque nada do que apregoa se transforma em algo de palpável. Ora, nesta linha de pensamento, a realidade nua e crua é que estamos cada vez mais tristes, pessimistas, acabados, impróprios para consumo, enfim, um número incalculável de coisas inúteis. E o caso não é para menos.
Dos 150000 empregos prometidos nenhum conseguiu passar a fase da entrevista. Pelo contrário, muitas pessoas passaram a estar na rua segurando um "placard" a dizer "Ajudem-me porque nada tenho para sustentar a família e nada tenho para lhes dar."Também nos foi solenemente afirmado que iríamos enriquecer à custa do não aumento de impostos. O que se verifica é que mesmo que tenhamos o dinheiro no bolso, o Estado encarrega-se de o levar até à última gota, quanto mais não seja, porque tem de sustentar os altos cargo e respectivas "royalties", que ele próprio criou. Segue-se uma autêntica panóplia de impostos sobre o imposto e mais impostos que vão surgindo, sem que o comum dos mortais se aperceba de tal facto. O problema é que com tantos impostos, o mês já não acaba no dia 31, mas sim lá para o dia 15, o que equivale a dizer que vivemos permanentemente com o credo na boca. Prometeram-nos que com alguns (muitos) sacrifícios a "coisa" iria melhorar num breve espaço de tempo. O que sabemos é que depois de tantos sacrifícios, já não há sacrifício que nos valha e vai daí, depois de nos levarem o sobretudo, o casaco, a camisa e a pele, muito me admiraria se também nos quisessem levar os ossos, porque esses são mais duros de roer. Prometeram-nos um mar de "rosas-choque", recebemos uma tempestade de cactos espinhosos.
Será esta a nossa cruz? Será este o nosso destino? Porque seremos tão infelizes?
A resposta é, porque não somos verdadeiros, porque queremos poder a qualquer preço, porque prometemos o que não temos, porque não somos autênticos.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Curvas e contracurvas...

O famoso choque tecnológico, tantas vezes retratado teatralmente, não passa de uma autêntica visão feérica proposta pelas vedetas estaduais e uma miragem “oasiana” aceite pelos destinatários populares, que não são mais do que meras “agências do euro milhões”, onde se deposita a renda mensal para ter acesso à página, “Não é possível encontrar a página”. Este povo tão dócil a nível das contribuições monetárias para o Estado, sente-se tremendamente enganado com tamanha fraude, no que ao esclarecimento diz respeito. Em vez de adquirir o direito de passagem por uma larga banda, o mais provável é só conseguir passar por um caminho estreito, onde as janelas do mundo da informação se encontram insistentemente fechadas.
As escolas são um exemplo vivo desta situação. É aí que os computadores são muitas vezes a única peça de mobiliário, digna do nome, para além das mesas, das cadeiras e bem entendido dos pobres alunos e professores, que esperam deles um complemento de aprendizagem, que teima em não os levar a lado nenhum.
Pior do que este choque, é o choque “frivológico”que retira aos meios rurais todas as possibilidades de subsistirem, visto que a ideia é acabar com as aldeias o mais depressa possível. Sem escolas, sem instituições, sem fábricas e sem tecnologia, o que resta é a grande possibilidade de termos um enorme aumento de eremitas desinformados, desencantados e desterrados nos mais recônditos espaços do país. Em contrapartida teremos um aumento descontrolado dos subúrbios, onde haverá grandes concentrações de massas humanas destinadas a engordar os famigerados números do desemprego, porque não têm acesso à tecnologia, não têm formação, não têm trabalho, não têm nada e, apesar disso, são seres humanos.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

A Verdade

O arranque do ano lectivo foi tão tresloucado, que o que parecia ser, já não é. De um dia para o outro, os professores ficaram sem nada. Sem saberem o que devem fazer, a fazer o que não devem saber e a deverem fazer o que não sabem fazer. Sabem ensinar, mas não sabem perturbar. Sabem leccionar, mas não sabem espiar.
Depois de transformados em bolas de pingue – pongue, eis que os atiram das lec. (lectivas) para as n. lec. (não lectivas) e vice – versa. Pelo meio apanham com o GOA (gabinete de ocupação de alunos mal comportados). Do (GOA) consultam a lista das substituições. Ao verem a lista desesperam. Ao desespero junta-se a verdade e aí verificam a sua triste condição de pajens do ensino. A verdade cruel é que passam os dias a substituir a sua própria pessoa e a substituir as substituições dos substitutos, que de quando em vez decidem não substituir nada, nem ninguém.
Depois vieram alguns presentes envenenados. Menos n. lec.,mais hipóteses de substituir em full time.
Um outro serviço, bem aprazível que lhes deram, é um autêntico chocolate amargo. Falo do famoso (GOA), gabinete do olhar apático, visto que é aí, que dois professores se encontram, num frente-a-frente digno de um hospital de loucos à espera que um aluno decida ter comportamentos inesperados, e assim pretender que alguém consiga aturar as suas birras. É neste gabinete que os professores espiam todos os seus pecados. E quanto mais vezes os encerrarem na sala mais desprovida de todos os luxos terrestres, maiores possibilidades têm de se salvar, encaminhando a sua alma para o paraíso.
Quem não me parece nada contente com este drama são os alunos. Eles bem se interrogam sobre o que vão fazer estes tontinhos destes professores, que eles nem conhecem de lado nenhum, para os aturar nas substituições, quando eles nem querem ser aturados, nem serem levados ao colo. Os pais todos contentes assistem a este triste espectáculo, que é ter os filhos bem encerrados, mas não se perguntam a fazer o quê. O que estes pais desconhecem é que a grande maioria dos professores, antes de o serem, são pais. Ora esses pais professores não gostam de ver este espectáculo teatral, que se chama “encerrar para não aprender”.
Aos professores mais idosos pede-se muita coragem para não deixarem os seus ossos espalhados pelos corredores da escola. Quando já não puderem mais, haverá sempre a reprografia para acabarem os vossos dias de forma digna. Também já se sabe que andarão muitos anos a descontar para a reforma antecipada dos políticos. O que não se sabe é qual será o dia em que morrerão como as árvores, só que bem no meio da sala de aula.
Todos devem perceber que não se aprende com desorganização, nem confusão. Aprende-se com regras, e as regras começam em casa.Quem não perceber isto terá sempre maus resultados.

terça-feira, janeiro 10, 2006

A primeira vez...

Isto é uma experiência...